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    O drama de Ricaurte

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    Ehcsztein

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    Data de inscrição : 04/08/2016

    O drama de Ricaurte

    Mensagem por Ehcsztein em Sex 05 Ago 2016, 11:21

    Durante toda a década de 90 perdurou, na mentalidade acadêmica oficial, a certeza de que o MDMA era substancialmente neurotóxico, até mesmo em pequenas doses, ou em aplicações únicas. Era frase comum dizer que o MDMA podia fazer mal, mesmo uma única dose, e que este dano era irrecuperável. Tais opiniões eram baseadas nas pesquisas feitas, primariamente, por um casal de pesquisadores norte-americanos, George Ricaurte e Una McCann. Ricaurte é pesquisador no John Hopkins, com um orçamento que o NIDA (National Institute for Drug Abuse) lhe oferece. Em 1998, ele e McCann, sua mulher, publicaram o conhecido artigo em que detectaram "evidência direta de uma diminuição dos componentes estruturais nos neurônios de 5-HT (serotonina) no cérebro de usuários humanos de MDMA". A pesquisa utilizava exames de PET (tomografia por emissão de pósitrons, uma forma de imageamento funcional do cérebro) para detectar diferenças na densidade dos transportadores de serotonina (SERTs) em usuários de ecstasy/MDMA.

    Este estudo serviu de base a uma campanha nos EUA, em que eram entregues folhetos com duas fotos tiradas dos exames de PET do artigo. Uma delas retratava uma pessoa controle ("plain brain"), e outra um dos usuários ("brain after ecstasy"), implicando que os usuários tinham uma densidade de SERTs muito menor que os do grupo controle (e, consequentemente, deviam estar na pior - veja a figura). A metodologia do trabalho, porém, foi criticada por muitos especialistas. Marc Laruelle, especialista em PET, diz que o trabalho é tão falho metodologicamente que é melhor "colocá-lo debaixo do tapete". McCann et al tiveram de fazer modificações extras nos dados, o que outros pesquisadores com o PET não costumam fazer. O mais interessante, contudo, é que mesmo entre os sujeitos do grupo controle, os de maior densidade tinham vinte vezes mais SERTs do que os de menor densidade; como esta discrepância não é possível em sujeitos humanos "normais", a possibilidade restante é que os dados não eram corretos. Mesmo se o fossem, e o erro fosse de um cálculo errado, dois dos usuários "severos" estavam no grupo que tinha a maior densidade de SERTs. Isto, somado com a falta de resultados remotamente parecidos com estes, em outras pesquisas, levam a crer que os resultados do estudo não são válidos.

    Ricaurte decolou em sua carreira justamente em 1985, quando um artigo seu, demonstrando uma depleção de serotonina em ratos com o MDA, um análogo do MDMA, foi utilizado pelo DEA na campanha para tornar o MDMA ilegal.Em 2002 a prestigiosa Science publica um artigo de Ricaurte de fazer tremer o mais empedernido raver. Ricaurte descobre que cobaias drogadas com MDMA sofreram danos cerebrais extensos, relacionados com a dopamina, exibindo sintomas similares ao mal de Parkinson. Mais contundente ainda, ele relata a morte de 2 dos 10 cobaias. A conclusão imediata disto tudo: o MDMA pode causar parkinsonismo. Tais resultados publicados em uma publicação com o pedigree da Science não deixaram dúvidas para o ex-diretor do NIDA, Alan Leshner: "mesmo um uso ocasional de ecstasy pode levar a um dano significante aos sistemas cerebrais".Muitos estudiosos criticaram o artigo de Ricaurte, tentando replicar os resultados, sem sucesso. Não foi à toa: em setembro de 2003 Ricaurte e seus colegas retrataram-se na Science. Os ratos cobaias foram injetados com metanfetamina, e não com MDMA; segundo os autores, uma confusão com relação aos rótulos dos frascos, vindos da fábrica. Em sua própria retratação Ricaurte fala de pesquisas subsequentes com MDMA verdadeiro, nas quais não encontraram nenhuma evidência de toxicidade dopaminérgica e, portanto, nada de parkinsonismo.


    Por: Ítalo Verdelli

      Data/hora atual: Seg 16 Jul 2018, 22:33